terça-feira, 26 de maio de 2009

Dia 17 – 18/jan/2009

Saímos de Caleta Oliva já pensando que poderíamos ter problema com combustível. Foi nessa cidade que avistamos o Oceano Atlântico pela última vez.

Depois de poucos 136 km, acabou o combustível e lá se foram os 5 litros do galão reserva. Essa de andar contra o vento faz a motoca gastar muito mais.

Mais 77 km e paramos de novo. No meio do nada e perto de lugar nenhum. O último posto que constava no mapa, estava fechado e isso atrapalhou nosso planos.

Minha moto estava com nada de combustível, e a do Gú ainda tinha um restante. Mas era a dúvida se daria pra chegar na próxima cidade ou se ele ficaria parado mais pra frente.

Porém, depois de muito esperar, e pedir algumas ajudas, nem tudo está perdido. Quando desponta no horizonte algo que parecia ser uma camionete grande e nova o Gú fala que não precisa nem pedir ajuda que não iria parar. E qual não foi a surpresa quando a Mitsubishi Pajero parou e se protificou a levar um de nós até a próxima cidade para buscar gasolina.

O Gú foi e eu fiquei esperando ele rodar o trajeto de ida e volta de mais de 100 km em caronas.

Quando de volta o Gú relatou que foi conversando com o motorista da camionete que estava com a esposa e um filho bebe. E, pra voltar do posto até onde estávamos, foi meio complicado encontrar um taxista que se dispusesse a levar, meio que desconfiados de um brasileiro com litros de gasolina.

Resolvido o problema da gasolina, seguimos viajem até Gobernador Costa e enchemos o tanque, e depois aceleramos até Tecka, onde o único posto da cidade não tinha combustível. Seguimos então para Esquel, numa pequena volta, onde completamos os tanques das motos e os galões de reserva.

Esquel é uma cidade fora da rota, que normalmente não é passagem. E não é que lá encontramos com os paulistas com quem havíamos esbarrado por todo o percurso e nos separamos por caminhos distintos na saída de El Calafate, onde eles pegaram a Ruta 40 e nós demos a volta pela Ruta 3. E por acaso nos encontramos ali, fora da rota, para abastecer as motos.

Dali em diante resolvemos seguir juntos até Bariloche, mesmo que pra isso fosse necessário viajar durante a noite.

E como fez frio neste trajeto para Bariloche. Agora, o grupo de 5 motos subia e descia montanhas em estradas a noite, com muitas curvas, uma névoa forte e um frio intenso. Rodamos até que chegamos em Bariloche e conseguimos um bom hotel, perto do centro, para todos.

Pouco mais de meia noite e a cidade estava deserta. Apesar do verão, o frio era intenso, próximo de 3 graus. Nada para comer, nem no hotel. Só restava dormir e esperar pelo dia “desayuno” (café da manhã).



E descobrir que o café da manhã era fraquíssimo.

Km dia: 920,90

Dia 16 – 17/jan/2009















































































Saímos ainda cedo de El Calafate porque teríamos que rodar muito. Abastecemos a moto e encontramos um trecho de 320 km sem abastecimento, sem um posto sequer. Ainda bem que estávamos levando 3,5 litros de reserva pra cada moto. A sorte foi que agora, estávamos andando “a favor” do vento, o que aumentou a velocidade média e diminuiu o consumo.


A gasolina foi acabando neste trecho de 320,3 km e resolvemos abastecer com a gasolina extra. O que foi bom porque chegamos no próximo posto com uma boa margem de segurança.


O objetivo do dia era alcançar Comodoro Rivadavia, uma longa distância para um dia. E quase conseguimos, pois paramos em um posto de gasolina em Caleta Oliva, sabendo que a entrada para Bariloche era um pouco antes de chegar em Comodoro.


Estávamos pensando em seguir um pouco mais a viagem, e no posto fomos informados que o próximo abastecimento seria a uns 200 km dali, e por isso seria necessário abastecermos ainda com gasolina extra.


E começaram os problemas, o galão do Gú parou de vedar e começou a vazar combustível. E como não comíamos nada desde cedo, resolvemos comer algum lanche para pensar no que fazer. No lanche, mandamos uma Coca Cola de 2,25 litros, e como tínhamos mais uma garrafa de 2 litros, estava quase resolvido o problema do galão extra. Difícil seria colocar a gasolina que já estava no galão pra dentro das garrafas.



Nenhum “ser vivo” do posto conseguiu algum funil para fazermos a transferência do galão para as garrafas, quando eu olhei para um cone de sinalização que serviria exatamente como um funil. O Gú pediu ao frentista que nos autorizou a fazer a operação e, foi curioso ver a cara dos argentinos reparando em nossa operação. Não sei se pensando que os brasileiros era inteligentes por ter achado a solução ou burros por terem chegado àquela situação. Conseguimos sem desperdiçar nada de combustível.


Resolvido isso, já tarde, resolvemos foi ficar por ali e conseguir uma boa cama em Caleta Oliva mesmo. Seguiríamos viajem no dia seguinte cedo. Tínhamos mais um longo dia para nos aproximar de Bariloche.




Km dia: 957,50

Dia 15 – 16/jan/2009





Este dia foi longo, mas reduzido de ações. Acordamos cedo, um café da manhã caprichado e partimos rumo ao Parque Nacional Los Glaciares.


No caminho, uma maravilhosa estrada. Muito vento, como de costume, e um frio que incomodava.


Chegamos ao estacionamento depois de pagar modestos 60 pesos por pessoa. Daí pegamos uma Van e subimos mais 1 ou 2 km e chegamos em um ponto de onde se vê o maravilhoso Glaciar Perito Moreno.


No caminho, antes de chegar ao estacionamento, já pudemos observar um pouco da grandiosidade do glaciar e a água azul do lago.


Embora distante do ponto em que estávamos, ele se demonstrava enorme mesmo. Sua estrutura em diversos tons de azul, seu som constante que pareciam trovões impunham respeito. Mais bonito ainda era quando se desprendia um pedaço do galciar e caia na água.


Eram pedaços de gelo do tamanho de uma mochila até pedaços do tamanho de um carro. O som que produziam essas quedas era maravilhoso, e depois os reflexos dele na água, submergindo após afundar nas águas do lago e pouco tempo depois, emergindo das profundezas. É algo maravilhos e impossíel de ser escrito em poucas linhas. Deve ser visto. Pelo menos tiramos muitas fotos.










Voltamos para a cidade e nos encontramos com os paulistas de novo e marcamos da jantar em uma parrilla que já havíamos conhecido na noite anterior. Lá tb descobrimos que, apesar de ser “tenedor livre” ou self service a vontade, para ser bem servido, tem que dar uma gorjeta para o churrasqueiro antes, caso contrário, como aconteceu comigo, ele fornece apenas pedaços ruins do churrasco.



No dia seguinte, seguiremos com um mesmo objetivo mas por trajetos diferentes. Os paulistas vão seguir para Bariloche via Ruta 40, e nós vamos dar uma longa volta porque nossas motos não são propícias para o rípio por mais 400 km ou mais.

Dia 14 – 15/jan/2009


Acordamos cedo pois queríamos chegar em El Calafate para conhecer os glaciares. Um rápido café da manhã, malas nas motos e seguimos viagem.

Como havíamos abastecido as motos logo ao chegar em Rio Gallegos, na noite anterior e termos rodado pouco mais de 30 km, resolvemos partir sem abastecer as motos e o tanque reserva. Uns 60 km depois de sair da cidade, encontramos uma barreira policial e fomos informados que o próximo abastecimento no caminho para El Calafate era a uns 160 km. Resultado, voltamos os 60 km, abastecemos as motos e ainda os 2 galões de 5 litros para levar de reserva.
Seguimos viagem, e pouco depois do posto policial, debaixo de um céu negro que anunciava chuva, começamos a pegar vento.


Já havíamos sido alertados sobre o vento, mas o que passamos a seguir foi algo inexplicável. Só passando por isso pra ver como é o vento de lá. Por muitas vezes, o forte vento vindo de frente não deixava que a moto alcançasse mais do que 60 km por hora, mesmo acelerando em marchas mais baixas. E algumas vezes, o vento mudava para a lateral e inclinava a moto muito, quase 45 graus, e a velocidade mal passava de 30 ou 40 km por hora.


Ainda, pra piorar, começou a chover. E chover muito. Ficou perfeito, muito frio, muito vento, muita chuva e longe de qualquer lugar. Passamos por um grupo de motociclistas que preferiram parar e esperar, e estavam atrás de uma Van que lhes dava cobertura contra o vento. Mas parados, só esperando, não chegaríamos a lugar nenhum. Seguimos vagarosamente, enfrentando as piores condições encontradas até agora.


E com sufoco e muito molhados chegamos a El Calafate. Paramos no primeiro posto e lá estava o paulista que já havíamos encontrado várias vezes com sua BMW. Ele nos contou que seus amigos preferiram esperar com suas XT660 atrás da Van, e ele, como nós, preferiu seguir em frente.

No posto, chorei pra conseguir um copinho de café por algo em torno de 5 reais, para ver se esquentava um pouco o corpo. E nessa espera no posto, chegaram mais 3 motos com placas do Alaska e de Minessota. Eram ingleses que haviam viajado de avião ao Alaska e lá alugaram umas motos e estavam viajando a 5 meses. Iriam completar o trajeto em Ushuaia.


Com a parada da chuva, cada parte do grupo seguiu seu caminho dentro da cidade em busca de acomodações. Depois de um pouco rodar e encontrar albergues feios ou cheios, nos deparamos com o Hostel Che Lagarto, de instalações novas e parecendo bem organizado. Conseguiram as camas 1 e 2 para nós e logo trocaram pelas 8 e 10 porque as anteriores estavam ocupadas.

Colocamos as malas na cama, para mostrar que está ocupada, como de costume, tomamos aquele banho e descemos ao pub do Hostel para conversar com os ingleses que estavam lá também.

Conversa vai, conversa vem, joguei sinuca com 3 irlandeses que mal falavam inglês e eu não entendia nada da língua deles e eles muito menos do meu português. E o Gú resolveu subir pra dormir cedo. Eu fiquei e fui entrar na internet pelo computador do Gú para entrar em contato com o pessoal via MSN e carregando algumas fotos. E quando resolvi subir pro quarto, as camas estavam todas ocupadas. Tinha uma mulher dormindo na minha cama e eu fiquei sem ter onde dormir.

Voltei para a recepção e relatei o fato, e a moça da recepção mandou que eu escolhesse o número 3 ou 5. Escolhi 3 e ela me disse que eu fora sorteado para a suíte. Brincadeiras a parte, ela me levou para um quarto separado, com banheiro próprio, banheira, TV, aquecedor e uma cama de casal. Tudo só pra mim. Fechei o dia com chave de ouro. Tudo que eu precisava para um bom descanço.

A cidade é um pouco cara, por ser turística. Tem gente de todo o mundo. Embaixo da beliche do Gú tinha um israelense, que ao sentir o cheiro de gasolina do reservatório extra logo falou. Por receio, resolvemos levar a gasolina pra longe do israelense.


Km dia: 305,40









quinta-feira, 21 de maio de 2009

Dia 13 – 14/jan/2009

Acordamos em Ushuaia e partimos para mais um trecho da viagem, onde repetiríamos pela primeira vez uma parte do caminho. Abastecemos logo na saída da cidade.


Um erro foi ter parado em Toulhoin para lanchar e não abastecer as motos. Pensamos que a gasolina ia durar até Rio Grande.


Daí a moto entrou na reserva e nada de chegar em Rio Grande. Quando faltavam apenas uns 10 km e já se via a cidade no horizonte, a Furiosa pediu água, ou melhor, gasolina. Zerou de combustível.

Só restou ao Gustavo percorrer esta distância e buscar um pouco de Nafta.


Passamos pela cidade, enchemos os tanques e seguimos. Entramos no Chile novamente. Aduanas e mais 120 km de rípio na volta. Não foi nada de mais pois já havíamos passado ali a pouco tempo e sabíamos o que vinha pela frente.


O rípio passou rápido e andamos mais até chegar em Rio Gallegos, junto com a noite. E com isso a velha história se repetiu. Fomos procurar abrigo já tarde da noite sem conhecer a cidade. E de fato, conhecemos pouco, porque turismo de madrugada e no frio não é o mais indicado para se conhecer uma cidade.


Mais uma vez encontramos acomodações que não eram uma primazia, parecia tudo limpo, mas os banheiros eram comunitários, e para muitos quartos.


Km dia: 591,80